Blog

Participação em live do canal do Caio Faiad – Especial Mês do Químico: “Ligações Químicas”

Cristiana Passinato, Luana Araújo, Flávio Rosa, Morgana Guimarães, Fernanda Brito, Luiz Carvalho e Taís Araújo – Equipe Química Acessível

Ao longo de nossas vidas ouvimos muitas expressões como: Você é demente? Você parece um autista! Você anda igual a um capenga! Você é mongol? Olha o ceguinho! Você parece surdo! Essas e outras expressões discriminatórias são decorrentes do capacitismo, elemento estrutural em nossa sociedade que assim como o racismo, o machismo e a homofobia, configura fator impeditivo de pleno acesso à cidadania.

Capacitismo é toda forma de discriminação contra um grupo social específico: o das pessoas com deficiência, este pode apresentar-se das formas mais doces às mais agressivas. Segundo Fiona Kumari Campbell (2021), o capacitismo está relacionado com as relações de poder em nossa sociedade e preconiza um afastamento da aptidão e capacidade dos seres humanos, em razão da sua condição de deficiência.

O termo é pautado na construção social de um corpo padrão “perfeito”, denominado como “normal”, e da subestimação da capacidade e aptidão de pessoas em virtude de suas deficiências, o que reduz as pessoas com essas características apenas às condições funcionais de seus corpos. Historicamente, dentro do debate de opressões, a luta anticapacitista sempre foi esquecida, sendo desconhecida por muitos e menosprezada por tantos outros. 

Reflita

Fonte : RICARDO FERRAZ, 2021.

O capacitismo não se manifesta apenas em palavras e expressões. Ele também produz diversos problemas de acessibilidade para as pessoas com deficiência. 

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 (e revistos em 2018), 6,7% da população brasileira, cerca de 14 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, apesar deste um número bem expressivo são um fato  obstáculos decorrentes da falta de acessibilidade. O que demonstra o caráter estrutural do capacitismo, o descaso do poder público e a condição de ignorância que predomina em nossa sociedade.

Legislação

Você sabia que o capacitismo é crime? Sim, está previsto na Lei Brasileira de Inclusão, que ser preconceituoso, a fim de excluir, afastar e ofender  as pessoas com deficiência, configura crime com pena de 1 a 3 anos de reclusão.

Estatuto da Pessoa com Deficiência

Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.
§ 1º Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas.
Art. 7º É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer forma de ameaça ou de violação aos direitos da pessoa com deficiência.
Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
(Brasil,2015 [s.p.])

Além de ser uma atitude preconceituosa e discriminatória, o capacitismo faz com que a pessoa com deficiência seja vista como incapaz para o mercado de trabalho, incapaz de cuidar da própria vida, infantilizada, assexuada, além de ocasionar a segregação social e dificuldade em usufruir de direitos sociais básicos como o direito de ir e vir. 

Devemos romper com o olhar capacitista e passar a enxergar a pessoa com deficiência como um ser humano. Todos temos particularidades. Olharmos o outro com dificuldades diferentes da nossa é respeitar e obter formas de aprendizagem e trocas mútuas. Temos muito a aprender uns com os outros e não podemos perder boas oportunidades por conta de pensamentos preconceituosos como os relacionados aos mencionados ao longo de nossa discussão.

Alguns dos termos capacitistas mais comumente usados: Imbecil. Demente. Idiota. Retardado. Burro. Atrasado. Mentecapto. Anormal. Louco. Insano. Estúpido. Débil mental. Cego. Surdo. Mudo. Alejado Manco. Perneta. João Sem Braço. Doente mental. Gagá. Autista. Mongolóide. Deformado. Inútil. Demente. Esquizofrênico. Esclerosado. Lunático. Agora pense, você já usou ou usa algum deles? Que atitudes você pode tomar para romper com práticas e pensamentos capacitistas? Compartilhe conosco suas reflexões!!

Referências

MELLO, Anahí. Corpos (in)capazes. Jacobim Brasil. 2021. Disponível em: https://jacobin.com.br/2021/02/corpos-incapazes/. Acesso em: 30 mai. 2021.

SASSE, Cintia. Capacitismo: subestimar e excluir pessoas com deficiência tem nome. Agência Senado. 2020. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2020/11/capacitismo-subestimar-e-excluir-pessoas-com-deficiencia-tem-nome. Acesso em: 30 mai. 2021.

Estatuto da pessoa com deficiência – Brasília : Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2015. Disponível em: 001042393.pdf (senado.leg.br) 

BRASIL. Constituição. República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 31 mai. 2021.

Talento Incluir. O que significa capacitismo para pessoas com deficiência. Talentoincluir.com. 2019. Disponível em: https://talentoincluir.com.br/emprego/o-que-significa-o-capacitismo-para-pessoas-com-deficiencia/#:~:text=Discriminar%20uma%20pessoa%20por%20conta,que%20o%20crime%20foi%20praticado. . Acesso em: 30 mai. 2021.

Capacitismo: o que é e como acontece no ambiente de trabalho

https://blog.handtalk.me/capacitismo / Acesso: 30 mai 2021

Manifesto de Criação da Frente Anticapacitista de Esquerda, F.A.E.https://redeinfoa.noblogs.org/tag/anticapacitismo/  Acesso: 30 mai 2021

GELENSKE, Thalita. Capacitismo: o que é e como acontece no ambiente de trabalho. Hand Talk. Disponível em: https://blog.handtalk.me/capacitismo/. Acesso em: 30 mai. 2021.
CERTEZA, Leandra Migotto. O que é capacitismo? As Mina. São Paulo, 2019. Disponível em: https://azmina.com.br/colunas/o-que-e-capacitismo/. Acesso em: 2 jun. 2021.

Diferença entre fenômeno físico e fenômeno químico para alunos com deficiência visual

Flávio Rosa, Morgana Guimarães, Luana Araújo e Cristiana Passinato *Equipe Química Acessível”

Temos do senso comum diferentes narrativas do que viria a ser um “fenômeno”. Por exemplo, utiliza-se o termo “fenômeno” para se referir a um fato ou um evento sem explicação ou de causas sobrenaturais e até mesmo para se referir a artistas que alcançaram sucesso repentino. O fato é que nossos alunos chegam à escola com algumas ideias já formadas sobre este assunto.

O papel do professor é promover uma ruptura de suas concepções derivadas do senso comum para a construção do saber científico. A mediação realizada pelo educador é fundamental nesse processo, instrumentalizando o aluno para que este possa ter uma representação e compreensão dos fenômenos baseado no senso crítico. Compreender o que definimos como fenômeno (químico ou físico) pode ajudar nossos alunos a compreender a ciência e a sua ação sobre a natureza.

A análise mediada dos fenômenos pode ocorrer através dos nossos sentidos ou através de instrumentos de medida que potencializam a apreensão por meio dos sentidos. 

Tradicionalmente, conceituamos fenômeno físico como aquele que não altera a natureza da matéria como o ocorrido, por exemplo, no ciclo da água. Este é um bom exemplo de fenômeno físico, uma vez que a água passa pelos estados sólido, líquido e gasoso, não alterando sua estrutura molecular.

Já o fenômeno químico comumente é conceituado como aquele que promove uma alteração a nível molecular e que pode ser percebido macroscopicamente por alterações como: mudança de cor, liberação de gases e variação na temperatura do sistema. Este pode ser exemplificado pelas alterações ocorridas pelos alimentos quando são cozidos.

Devemos ter em mente que estes fenômenos não ocorrem, na natureza, de maneira isolada e estanque.

Recursos pedagógicos

O professor deverá investigar qual a extensão e o histórico da deficiência visual do aluno com a finalidade de conhecer suas experiências empíricas e para auxiliar na escolha de um método adequado de ensino.

Explorar os demais sentidos é tarefa fundamental na mediação de um aluno com deficiência visual. Comunicar conceitos de forma clara e simples sem perder o rigor, estimular o tato, por exemplo, na realização de experimentos onde se possa perceber através do toque uma variação na temperatura do sistema ou fazer com que o aluno toque um metal antes e depois de sofrer o processo de corrosão. Essas alternativas poderão  beneficiar aos alunos com deficiência e aos demais.

Apesar de a comunicação verbal e o tato serem importantes  meios de aprendizagem e comunicação da pessoa com deficiência visual, o uso de outros sentidos, como o olfato e o paladar, também são uma alternativa de transmissão  do conteúdo como por exemplo, no uso de jogos, músicas, dinâmicas, uso de assistência digital, tecnologias e outras ferramentas que estejam a disposição do professor.

O emprego de situações do dia a dia poderão servir de recursos que auxiliem ao aluno a diferenciar fenômenos físicos e químicos, como por exemplo:

  • Perceber como o cheiro de um perfume se difundiu após ser “borrifado” em um ponto da sala;
  • Utilizar alimentos que mudem de cheiro e/ou gosto após uma alteração em suas propriedades, como um cozimento ou uma degradação. Peça que ele prove um banana crua e uma cozida, faça ele perceber a diferença de sabor, a mudança das propriedades. O mesmo vale para o uso do olfato em um ovo bom e um estragado.

Referências

LOPES, A.R.C. A concepção de fenômeno no ensino de química brasileiro através dos livros didáticos. Química Nova. São Paulo, v. 17, n. 4, p. 338-341, jul. 1994. Disponível em: Vol17No4_338_v17_n4_(14).pdf (sbq.org.br). Acesso em: 28 mai. 2021.

RIBEIRO CASIMIRO LOPES, Alice. Reações Químicas: fenômeno, transformação e representação. Química Nova na Escola, São Paulo, v. 2, p. 7-9, 2 Novembro 1995. Disponível em: http://webeduc.mec.gov.br/portaldoprofessor/quimica/sbq/QNEsc02/conceito.pdf. Acesso em: 28 mai. 2021.

BACHELARD, Gaston. Conhecimento comum e conhecimento científico. In: Tempo Brasileiro. São Paulo, n. 28, p. 47-56, jan-mar 1972. Disponível em: http://www.epistemologia.ufrj.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3:conhecimento-comum-e-conhecimento-cientifico. Acesso em: 28 mai. 2021.

RISSINO, Jonathan Miranda. GONZALEZ, Luciana Pereira. Estratégias metodológicas para a inclusão de alunos deficientes visuais no Ensino de Física. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 10, pp. 103-117. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/alunos-deficientes-visuais, Acesso em: 29 mai. 2021.

PAIVA, Thaís. Como incluir deficientes visuais nas aulas de física. Carta Capital. São Paulo, 2013. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/educacao/fisica-inclusiva/. Acesso em: 25 mai. 2021.

Orientações para atuação pedagógica junto a alunos com deficiência visual. Texto publicado no livro: SILVA, Luzia Guacira dos Santos. Orientações para atuação pedagógica junto a alunos com deficiência: intelectual, auditiva, visual, física. Natal: WP Editora, 2010. Link de acesso: http://orientacoes_atuacao_pedagogica_junto_alunos_deficiencia_visual_luzia_guacira.pdf. Acesso em: 28 mai. 2021.

Aula do Acessibilidade IQ para Licenciatura em Química

ENTREVISTA PARA PESQUISA – PÚBLICO ALVO – PROFESSORES NÍVEL BÁSICO

Entrevista. Técnica de coleta de dados: entrevista - Brasil Escola

Bom dia…
Me chamo Milena e sou aluna de Engenharia de Bioprocessos na UFRJ. Esse período estou realizando um trabalho sobre a educação de pessoas com deficiência visual e estou precisando realizar entrevistas com professores especializados ou não, mas que já tiveram experiência em sala de aula com esse tipo de ensino. Gostaria de saber se poderiam ajudar dando entrevistas ou até indicando pessoas com quem eu possa falar.

Grata desde já ☺️

e-mail de contato com a pesquisadora: milenafreitaas@hotmail.com